JML
6 de Janeiro de 2010
4 de Janeiro de 2010
Max Richter
Publicado em Dezembro no Actual do Expresso:
Memoryhouse
Max Richter
BBC/ Fat Cat/ Flur
Lançado em 2002 e agora reeditado, o primeiro álbum em nome próprio do músico e compositor Max Richter sobrevive aos anos passados. Gravado com a BBC Philharmonic Orchestra, “Memoryhouse” segue um conceito usado e muito abusado nos anos 1990, o da banda sonora para um filme imaginário. Sucede que Richter fá-lo com uma eloquência e precisão (da recorrência de motivos sonoros aos títulos funcionais) que impelem o ouvinte a uma consulta, infrutífera, do Internet Movie Data Base. O filme que se ouve em “Memoryhouse” é guiado pelo minimalismo. Paisagens devastadas, geladas e monocromáticas pairam no ar das 18 faixas. A palavra-chave é ‘memória’: esta é uma obra que evoca um século XX europeu em estado de pós-guerra, repleto de fantasmas que ditam a vida dos sobreviventes. Chuva cai durante ‘November’. Um estertor de ‘voz’ a uivar sufoca em ‘Sarajevo’. Há um tecto de nuvens cor de chumbo que nunca levanta deste álbum, nem quando esporádicos loops rítmicos entram num frenesim larvar. Uma obra austera, pungente e invernosa, de um compositor de carreira ainda breve mas consistente.
Diabo na Cruz
Publicado em Dezembro no Actual do Expresso:
Virou!
Diabo na Cruz
FlorCaveira/Mbari
“Virou!” é o mais eufórico disco até agora saído da comunidade FlorCaveira e a confirmação do talento de Jorge Cruz, o mentor dos Diabo na Cruz, como um compositor e produtor que sabe que a distância entre a pop e a música tradicional pode ser nenhuma – e com sageza para fazer uma festa nesse território comum. ‘O Regresso da Lebre’ dá início ao disco com não mais do que a voz de Vitorino e um coro de percussões. A fusão com o rock vem a seguir em ‘Tão Lindo’. No resto deste álbum de 28 minutos há acenos aos Heróis do Mar, rendas e bordados rítmicos reminiscentes do rock progressivo e guitarras cristalinas como as da escola Television-Strokes. Os teclados de João Gil são essenciais no preenchimento cromático, como essenciais são as harmonias vocais de Cruz, B Fachada e Bernardo Barata. “Virou!” usa a noção de modernidade lançada por António Variações para obter resultados muito diferentes: aqui a combinação de raízes e cosmopolitismo também liga o Minho (e Trás-os-Montes, e o Alentejo) a Nova Iorque, mas tudo explode num alucinante e auto-explicativo ‘Corridinho do Verão’.
Lúcifer e os amigos apóstolos
Os Diabo na Cruz são o contraditório pagão dos rigores espirituais da comunidade FlorCaveira. Com a saída de “Virou!”, o líder Jorge Cruz dá graças por uma nova geração que pensa a música em português.
A uma década de distância, percebe-se que já havia na música que Jorge Cruz fazia nos Superego, o trio em que primeiro deu nas vistas, sementes do que agora brota no seu novo projecto, o quinteto Diabo na Cruz. Um quinteto onde Cruz, um aveirense que experimentou anos de labor no Porto antes de fazer as malas para Lisboa, se junta a B Fachada, Bernardo Barata, João Pinheiro e João Gil para dar ao colectivo FlorCaveira o seu braço mais pop-folclórico-funk. A meia surpresa veio em meados de 2009 com o EP “Dona Ligeirinha”. A confirmação tem a forma do agora editado álbum “Virou!”. Onde nem falta uma viçosa bailadeira de rancho a adornar a capa, as saias tradicionais erguendo-se para revelar roupa interior muito século XXI. José Vilhena há-de sentir-se orgulhoso.
Regresse-se à pré-história. Nos anos 1990, nos Superego, Jorge Cruz já cantava em português enquanto fazia rock devedor, mais em espírito do que em som, do deflagrar do grunge. Mas também já acenava à música popular portuguesa, cantando ‘As Armas do Meu Adufe’ ou ‘O Galo É o Dono dos Ovos’, de Sérgio Godinho. “Agora retomei uma coisa que tinha congelado”, explica. “Estaria pronto para tentar isto há dez anos, mas não sei se conseguiria fazê-lo. Acho que, se calhar, tê-lo-ia realizado de uma forma mais tosca.”
O MySpace dos Superego diz que o grupo fechou portas a 11 de Setembro de 2001. Daí para cá, Cruz registou dois discos a solo. Para chegar aos Diabo no Cruz, várias coisas mudaram. “Tive de entrar num módulo um bocado de guerrilha. Desloquei-me para uma área muito mais associada à expressão do que vai dentro, em que ao escrever canções olho bastante para o que a música tem em comum com outras artes. Foi uma questão de perceber o que um gajo tem para dizer. A única coisa que teria de fazer em termos estéticos era tentar criar uma música moderna que fosse exclusivamente portuguesa. Que não pudesse ser de mais lado nenhum. E o facto de ter vindo para Lisboa e de me dar com pessoas que estão interessadas em criar coisas nessa área fez-me lembrar que isto era algo que sempre quis pôr em prática. E esse contacto também permitiu que pudesse pegar nas coisas mais à frente. Saltei uma data de estações e fui logo para um sítio muito confortável. [“Virou!”] Foi o disco mais confortável, e até mais fácil de fazer, para mim.”
Quando Jorge Cruz aterrou em Lisboa, já conhecia parte do elenco do eixo FlorCaveira/ Amor Fúria: “O João Coração era baterista de uma banda que surgiu depois dos Superego, a FanfarraMotor, que foi de certa forma a primeira ideia parecida com Diabo na Cruz, porque era quase só música tradicional. Tínhamos uma maquetazita, íamos para estúdio, e foi nesse momento que comecei uma carreira sozinho, porque a banda acabou na sala de gravações; tínhamos já combinado trabalhar com o Carlos Guerreiro, com o Paulo Marinho, e tínhamos uma ideia de fusão do rock com [música tradicional]. Em estúdio aquilo não estava a correr bem, havia uma crise meio existencial sobre o que nós queríamos, o grupo desmembrou-se e eu tinha tempo de estúdio comprado. Decidi começar a gravar, à viola, canções que eu tinha, e foi assim que veio a cena do nome próprio. Não foi nada planeado.” A carreira a solo rendeu “Sede” (2003) e “Poeira” (2006), e uma cantiga (‘Nada’) em passagem na novela “Fascínios”, da TVI. Entretanto, “o João Coração queria gravar um disco, e estava super-entusiasmado com o Tiago Guillul e o Samuel Úria. O Manuel Fúria eu já tinha conhecido. Então, um dia, jantámos todos. De repente, descobri perspectivas absolutamente diferentes, mas com afinidades muito grandes, mais em relação ao meu ‘eu’ antigo do que àquilo que estava a fazer naquele momento. Naquela altura, eles viam-me como o gajo que tinha música nas novelas. Além disso, uns são super de direita e eu não sou de direita, são religiosos e eu não acredito em Deus, e isto criou logo ali um despique e uma tensão amigável e interessante. E fomos para Sesimbra gravar”. Em Sesimbra nasceu “Nº1. Sessão de Cezimbra”, de Coração. Entretanto, Cruz também já produziu os álbuns de apresentação d’Os Golpes e de João Só e Abandonados, e co-produziu o novo registo, homónimo, de B Fachada. Confessa que não tem som de marca, mas “gostava que se percebesse que há um cuidado, uma exigência. E gostava que pelo filtro só passassem canções fortes, válidas e bem espremidas”.
Uma das características que Jorge Cruz mais aprecia nesta comunidade de artistas mais jovens é o facto de estarem “comprometidos com uma ideia de identidade. Não lhes faz sentido ser de outra maneira. Vou-te dar uma parangona para tu escreveres, se quiseres acabar com a minha carreira: se fosse escrita uma história da música portuguesa, a minha geração, que é a dos anos 90, merecia um parágrafo muito pequeno em que se dissesse que tinha vergonha de ser portuguesa. E esta não. Estão muito mais à vontade. No meu tempo, escrever em português soava sempre mal. Essas são questões que, para estas pessoas, não fazem qualquer sentido.” A geração de Jorge Cruz era a geração do fazer-como-lá-fora? “Era.”
“Virou!”, pelo contrário, traz 11 canções feitas por quem tem ouvidos cosmopolitas mas os pés lucidamente assentes no rectângulo. É “desconstruir um bocado a imagem que nós temos do que é o sagrado português e lançá-lo para a confusão do povo. A nossa intenção é andar pela música popular portuguesa, e a ideia é trabalhar no proibido. É um bocado: estamos a fazer uma grande rockalhada, o que é que era proibido fazer agora? Era tocarmos mesmo um corridinho. É tentador metermo-nos por aí. [Pausa] No fundo, é capaz de haver um lado meio provocatório nisso”.
Time Out 117 & 118
Time Out 117:
Melhores discos internacionais, portugueses e de jazz & clássica de 2009.
Alicia Keys
Time Out 118:
Catarina Wallenstein
Amamos os nomes dos filmes porno do Cine Bolso e Cine Paraíso
Odiamos enviar e receber SMS a martelo (sobretudo na passagem de ano)
King Midas Sound
Scooter
Paul McCartney
16 de Dezembro de 2009
15 de Dezembro de 2009
Frankie Goes to Hollywood
Publicado em Dezembro no Actual do Expresso:
Frankie Say Greatest
Frankie Goes to Hollywood
ZTT/ Universal
Welcome to the Pleasuredome
Frankie Goes to Hollywood
ZTT/ Mbari
Nasceram da refrega punk e pós-punk de Liverpool. Os seus dois elementos mais visíveis eram efusivamente homossexuais. Tiveram uma linha de t-shirts (‘Frankie Say Relax Don’t Do It’, ‘Frankie Say War! Hide Yourself’, etc.) que não mais saíram do imaginário pop. Encontraram a casa certa na ZTT, onde foram abençoados pela produção state of the art megalómana de Trevor Horn e pelos manifestos de Paul Morley. Entre 1984 e 85, o êxito desmedido dos Frankie Goes to Hollywood (FGtH) serviu de sublimação da Nova Pop iniciada com os ABC e os Human League. Uma sublimação que deitou mão ao sexo puro e duro (em ‘Relax’), à guerra-fria (em ‘Two Tribes’) e à religião no seu estado mais tocante e kitsch (‘The Power of Love’). A curta vida dos FGtH foi a de um projecto de arte popular destinado a fixar o ar do tempo. A sua obra-prima, “Welcome to the Pleasuredome”, reaparece com adequada frequência nas lojas. Um segundo álbum, “Liverpool”, foi um flop a pedir reapreciação. E é com esta produção escassa e concentrada que os compiladores têm de se amanhar. Se prezar os objectos físicos, opte por “…Pleasuredome” ou percorra o eBay em busca dos sumptuosos (nas misturas e no grafismo) máxi-singles originais.
10 de Dezembro de 2009
9 de Dezembro de 2009
Time Out 115
Editors
Tricky
Micro Audio Waves
Zoetrope
Ed. Autor/ Mbari
Nesta caixa negra guarda-se Zoetrope, o espectáculo de música e vídeo e ocupação de palco concebido pelos Micro Audio Waves (MAW) e pelo coreógrafo Rui Horta. Musicalmente, é um momento muito feliz no percurso dos MAW, com um leque de canções synthpop tingidas pontualmente por krautrock, dub e ambient – tudo eloquentemente demonstrado num CD de dez faixas que vale um lugar entre os melhores lançamentos nacionais de 2009. O DVD mostra o espectáculo Zoetrope na Culturgest, numa realização criativa que circula entre os músicos-“actores” e os ecrãs que emparedam todo o palco, debitando imagens de movimentos perpétuos; uma realização criativa, sim, mas que não abafa a sensação que este era um espectáculo para se experimentar ao vivo – e na penumbra.
8 de Dezembro de 2009
Lady Gaga
Publicado em Novembro no Actual do Expresso:
The Fame Monster
Lady Gaga
2 CD Interscope/Universal
A nova-iorquina Lady Gaga propaga-se pelo mundo pop somente desde 2008, mas as suas manifestas virtudes (energia criativa, propensão camaleónica, carisma, aparente controlo criativo sobre as coisas em que se mete) e o êxito já alcançado colocam-na nas calmas ao lado dos outros nomes mais marcantes na canção mainstream desta década – Beyoncé, Rihanna, Britney Spears. E com séria probabilidade de se tornar em breve um ícone da pop art para o século XXI, mais David Bowie do que Madonna. “The Fame”, o seu álbum de estreia, é agora relançado com um segundo CD de oito novas canções, quase todas superiores ao repertório mais antigo: são maiores, mais dramáticas e mais sofisticadas, numa progressão lógica da synthpop para televisão & discoteca tal como era praticada na segunda metade dos anos 1980, e quase descartando o r&b que ainda marcava “The Fame”. Muita atenção aos espantosos retratos ‘de’ Lady Gaga realizados por Hedi Slimane e que acompanham esta edição, sublimando a noção da cantora como um reservatório de personagens ilusórias, sensuais e de contornos difusos. Na era da exposição máxima, Lady Gaga faz-se estrela apelando aos poderes da ocultação.
7 de Dezembro de 2009
3 de Dezembro de 2009
A Aberração da Década
Um pedaço de prosa que animou consideravelmente o dia foi a preciosidade abaixo reproduzida do Alex Macpherson sobre "My Girls" dos Animal Collective. Retirado do Singles Jukebox (link).
Para ler, imprimir em corpo 30 e afixar em pontos estratégicos da cidade. Os sublinhados são meus.
Alex Macpherson: I’ve been irked by a fair few artists this year, but usually the reason is an obnoxious persona working in tandem with bad music. With Animal Collective, it’s just the sonics. Like most of what I’ve heard by them, “My Girls” is a seasickness-inducing mess. Flattened-out production which makes the song sound like it’s trying to breathe through clingfilm; the rudimentary electronic bibble which refuses to go anywhere or develop into anything and just keeps hanging there, like a broken car alarm whose owners have gone on holiday; the one-note synthpad passing, badly, for a bassline, which sounds like a baby is crawling over a keyboard. These elements appear to have been laid over each other entirely at random, and as “My Girls” fumbles ineptly along, even more clutter is added, but EVEN THAT is not the worst thing about the song because the worst thing is Noah Lennox’s fucking abomination of a voice. It makes me livid that anyone has the temerity to inflict that pitchless, lifeless, smug blare on to the world, let alone under the guise of art, let alone exacerbate its horror by oscillating back and forth over and over and fucking over again, never once even nearing the concept of singing in key. Luckily for this intolerable band, their actual words are buried somewhat, but looking them up, they appear to be infantile hippie bullshit. This is literally the worst thing I have ever heard, it makes me want to commit acts of violence on those responsible and as far as I’m concerned anyone encouraging them or expressing positive sentiments towards them rescinds their right to be taken seriously on the subject of music ever again. [0]
2 de Dezembro de 2009
2006
1-Burial – Burial
2-Memories of the Future – Kode9 & the Spaceape
3-FutureSex/ LoveSounds – Justin Timberlake
4-Fundamental – Pet Shop Boys
5-Dubstep Allstars: Vol.03 Mixed by Kode9 – V.A.
6-Silent Shout – The Knife
7-So This Is Goodbye – Junior Boys
8-White Bread Black Beer – Scritti Politti
9-Dying to Say This to You – The Sounds
10-Pretty Scary Silver Fairy – Margaret Berger
11-Fizheuer Zieheuer – Ricardo Villalobos
12-Halcyon Days – BWO
13-Orchestra of Bubbles – Ellen Allien & Apparat
14-Idlewild – Outkast
15-Paris – Paris Hilton
16-Under the Skin – Lindsay Buckingham
17-Ta Dah! – Scissor Sisters
18-Tiny Colour Movies – John Foxx
19-House Arrest – Ariel Pink’s Haunted Graffiti 5
20-3121 – Prince
21-B’day – Beyoncé
22-Cassie – Cassie
23-Studio 1 – All Saints
24-Concrete – Pet Shop Boys
25-Morph the Cat – Donald Fagen
26-Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not – Arctic Monkeys
27-The Hardest Way to Make an Easy Living – The Streets
28-The Drift – Scott Walker
29-This Is My Demo – Sway
30-The Orange Album – Stefy
DISCOS DO ANO – 2006 – NACIONAL
1-Rima – Samuel Jerónimo
2-Resistentes – Nigga Poison
3-Ligação Directa – Sérgio Godinho
4-Máscara – Ex-Peão
5-10 Anos Depois – DR Sax
6-Edição Ilimitada – Mind da Gap
7-Veados Com Fome – Veados Com Fome
8-M.A.U. (Man and Unable) – M.A.U. (Man and Unable)
9-Lobster/ Veados Com Fome – Lobster/ Veados Com Fome
10-Revistados 25.06 – V.A.
2005
1-Taller in More Ways – Sugababes
2-Come and Get It – Rachel Stevens
3-Late Registration – Kanye West
4-Chemistry – Girls Aloud
5-Run the Road – V.A.
6-Supernature – Goldfrapp
7-Human After All – Daft Punk
8-Minimum Maximum – Kraftwerk
9-Oral Fixation Vol.2 – Shakira
10-The Emancipation of Mimi – Mariah Carey
11-Robyn – Robyn
12-Theatre Royal Drury Lane 8 September 1974 – Robert Wyatt
13-Hey Let Loose Your Love – The Focus Group
14-Barrio Fino – Daddy Yankee
15-OK Cowboy – Vitalic
16-Confessions on a Dance Floor – Madonna
17-Prototype – Bodies Without Organs
18-Thrills – Ellen Allien
19-We Are Monster – Isolée
20-Playing the Angel – Depeche Mode
21-Are You Really Lost – Matias Aguayo
22-The Campfire Headphase – Boards of Canada
23-Aerial – Kate Bush
24-Tales from Turnpike House – Saint Etienne
25-LCD Soundsystem – LCD Soundsystem
26-In at the Deep End – Roll Deep
27-Tomorrow, Tomorrow & Tomorrow – Bill Fay Group
28-Touch – Amerie
29-The Trinity – Sean Paul
30-Odyssey – Fischerspooner
DISCOS DO ANO – 2005 – NACIONAL
1-Brilhantes Diamantes – Serial
2-Single – Carlos Bica
3-Metamorphosia – Kubik
4-Para o Inferno Com Eles – Fish & Sheep + Tropa Macaca
5-What Is - Ölga
Dizzee Rascal
Publicado em Novembro no Actual do Expresso:
Tongue N’ Cheek
Dizzee Rascal
Dirtee Stank
Dizzee Rascal, génio encartado, já pouco ou nada quer do grime. Do género saído das ruas de Londres para a vanguarda musical desta década há neste seu quarto álbum pouco mais do que a métrica e o sotaque britânico aplicados ao rap e a sua incrível voz simultaneamente chorosa, inane (elogio) e poderosa. “Tongue N’ Cheek” é um tratado para pistas de dança onde cada faixa forma o seu próprio universo. Abre com um momento de transcendência chamado ‘Bonkers’, menos de três minutos de um ataque concertado à coluna vertebral e ao cérebro, mais uma experiência neurológica do que uma canção, produzida por Armand Van Helden, experiente produtor americano de house, electro e garage que assim arranja uma merecida e inesperada via para regressar ao topo das tabelas de vendas. ‘Dirty Cash’ opera um flashback até à era em que a pop ia para a cama com o acid house, e os singles ‘Dance Wiv Me’ e ‘Holiday’, ambos com o arquitecto pop Calvin Harris, são promessas de hedonismo e verões que não acabam.
1 de Dezembro de 2009
26 de Novembro de 2009
Olha o Passarinho
Esqueci-me de avisar que há já algum tempo que, de vez em quando, escrevo umas coisas aqui.
25 de Novembro de 2009
2004
A transcrição das minhas listas de discos do ano congelou lá por Fevereiro, no ano 2003. Recomeço, a ver se aqui coloco todas antes do final de 2009.
DISCOS DO ANO – 2004 – INTERNACIONAL
1-A Grand Don’t Come for Free – The Streets
2-Showtime – Dizzee Rascal
3-The College Dropout – Kanye West
4-Last Exit – Junior Boys
5-Liars – Todd Rundrgen
6-Anniemal – Annie
7-Seadrum/ House of Sun – Boredoms
8-Calling Out of Context – Arthur Russell
9-Rio Baile Funk: Favela Booty Beats – V.A.
10-Love Angel Music Baby – Gwen Stefani
11-Treddin’ on Thin Ice – Wiley
12-Unreleased Dubs 94-96 – Remarc
13-Backstroke – Matthew Dear
14-What Will the Neighbours Say? – Girls Aloud
15-Venice – Fennesz
16-Kompakt 100 – V.A.
17-Franz Ferdinand – Franz Ferdinand
18-Compilation #2 – V.A.
19-Greatest Hits – Goldie Lookin Chain
20-Amunition V.A.
21-High – The Blue Nile
22-Scissor Sisters – Scissor Sisters
23-Here Comes Love – Superpitcher
24-Louden Up Now - !!!
25 – Grime – V.A.
26-Thé au Harem d’Archimède – Ricardo Villalobos
27-Suit – Nelly
28-Diamond in the Dirt – Shystie
29-Wuzzlebud KK – Robag Whrume
30-The Definition – LL Cool J
DISCOS DO ANO – 2004 – NACIONAL
1-Meeting Point – Plaza
2-Re-Definições – Da Weasel
3-Reconciliation – Hipnótica
4-Rapensar: Passado Presente Futuro – Chullage
5-Feeding the Machine – X-Wife
6-Pilgrimage – Dance Damage
7-Funk Matarroês – MatoZoo
8-100 Papas na Língua – Tony Mc Dread
9-No Waves – Micro Audio Waves
10-B.I. – Expensive Soul
Time Out 113
Muse
Melhor concerto da década em Lisboa: Xutos & Pontapés no Restelo
Setembro de 2009, Estádio do Restelo. Os patrões do rock português sopram 30 velas com um concerto grande. Mesmo grande. Para o júri da Time Out, foi o espectáculo que pôs a cereja no topo de uma década pejada de música ao vivo
Concerto de estádio encabeçado por uma banda portuguesa é uma raridade. Uma raridade ditada pelo bom senso económico. Porque quanto maior for o palco e o teatro, mais notório será o eventual falhanço. Mas se a operação resulta, se a casa enche e o espectáculo e as canções estão à altura (e largura, e profundidade…) da ousadia, o resultado entra para a história. Assim foi nos anos 90 com os GNR, e assim volta a ser na década dos zeros com os Xutos & Pontapés.
Um bom número dos nomes consultados pela Time Out para esta eleição não esqueceu a data e o lugar: 26 de Setembro de 2009, Estádio do Restelo. Foi nessa noite que se atingiu a apoteose nas comemorações dos 30 anos de carreira do paradigma da banda rock portuguesa. Apareceram 40 mil fãs, variadíssimos de t-shirt negra trespassada pelo clássico “X”; e/ou de lenço à-Tim ao pescoço; e/ou com propensão para elevar os braços e em forma de cruz a cada cinco minutos. Do cenário varrido a luzes coloridas à pirotecnia à passerelle + plataforma lançadas até bem dentro da plateia, abundavam os sinais de se estar a jogar num campeonato dos acontecimentos musicais idêntico a uns Rolling Stones e U2. A natureza do alinhamento, pejado de greatest hits cantados em coro, cuidou do resto da verosimilhança. Soa familiar? Foi mais um concerto-dos-Xutos? Foi um concerto-dos-Xutos, mas maior do que nunca. E o sentido de comunhão de um Acontecimento costuma bater fundo.
Daqui em diante, a votação do nosso painel pulverizou-se em milhentas direcções, reflexo de uma década abundante de concertos na capital. Ainda assim, a prestação desvairada dos LCD Soundsystem no Lux em Junho de 2005 deixou cicatrizes das boas, assim como a primeira e, por enquanto, única passagem de Paul McCartney por palcos nacionais, no Rock in Rio de 2004. Outros nomes “históricos” foram lançados para a urna de voto, dos Stranglers aos New Order, de Madonna aos U2, Phil Collins a Neil Young, Leonard Cohen a Chico Buarque, AC/DC aos Pearl Jam, do trio Barry Guy/ Evan Parker/ Paul Lytton aos Depeche Mode. Também conquistaram espaço na memória os Underworld, Interpol, Portishead, Animal Collective, Peaches e Jamie Lidell. E gente de cá? Além dos Xutos, houve cruzinhas para Mariza, Da Weasel, Norberto Lobo e até para um remoto espectáculo dos Ornatos Violeta na Aula Magna, corria o mês de Dezembro de 2000. Só para que não haja dúvidas sobre a profundidade da memória. Jorge Manuel Lopes
Votaram:
Álvaro Covões (responsável da Everything Is New), Álvaro Ramos (responsável da Ritmos & Blues), David Pinheiro (jornalista do Disco Digital e do Diário de Notícias), Inha (responsável da Luazes), Luís Montez (responsável da Música no Coração), Mário Lopes (jornalista do Público), Pacman (vocalista dos Da Weasel), Paulo Furtado (músico, às vezes The Legendary Tigerman), Pedro Santos (responsável da Flur), Ricardo Casimiro (responsável da Tournée), Tiago Palma (A&R da Universal)
2º Lugar
LCD Soundsystem
Lux, 2005
3º Lugar
Paul McCartney
Parque da Bela Vista, 2004
When the Bomb Takes Over
Acho que não estou a ficar maluco ao notar uma certa semelhança entre esta versão dos Saint Etienne, editada em 1995, de um tema dos Television Personalities, e este glorioso hit de David Guetta de 2009. Não estou, pois não?
24 de Novembro de 2009
23 de Novembro de 2009
David Bowie
Publicado em Novembro no Actual do Expresso:
David Bowie
David Bowie
2 CD EMI
Lançado em 1969, o segundo álbum de David Bowie tem um cadastro de reedições e mutações quase tão intrincado como a carreira do seu criador. “David Bowie” virou “Space Oditty” logo no primeiro relançamento, em 1972, e desde então foi mudando de capa e de alinhamento de cada vez que voltou aos escaparates. A reedição comemorativa dos 40 anos repõe a capa, o título e a sequência originais, e junta-lhe não só um detalhado texto sobre a feitura do disco mas também um fatal segundo CD (curioso mas globalmente dispensável) de versões ‘demo’ e/ou alternativas, sessões para a BBC e material disperso por singles da época. Produzido por Tony Visconti (à excepção de ‘…Oddity’), “David Bowie” lança-se em vários rumos mas já contém momentos em que as idiossincrasias de Bowie brilham intensamente, transtornando o ar do tempo. Esta estranha, ingénua, épica e suja folk psicadélica, britânica até à medula, absorveu a utopia hippie, os Beatles e os Pink Floyd de Syd Barrett e seguiu em frente, para um lugar pré-rock progressivo e pré-glam, pagão e político. E não há familiaridade que retire a ‘Space Oddity’ a terrífica sensação de solidão cósmica. Uma parte essencial dos anos 1970 começa aqui.
Trabalho
Equipa Principal
Comunidade
- A Rute É Estranha
- Banana Killers & Co.
- Beco dos Prazeres
- Bodyspace
- Breviário das Coisas Breves
- Campainha Eléctrica
- Casa de Osso
- Espero Bem que Não
- Flur
- Grandes Sons
- Gravilha
- Importo-me Bué
- Ié-Ié
- Knock Is There
- Ladies Love Cool R
- Lux Frágil
- Malditos Headphones
- Memory Lane
- O Homem que Sabia Demasiado
- O Sofá Verde
- Planeta Pop
- Ponte Sonora
- Provas de Contacto
- Raízes e Antenas
- Roda Livre
- Sound + Vision
- The Dum Dum Ditty
- Zona Negra
- Último Nível
Arquivo
-
►
2009
(214)
-
►
Dezembro
(21)
- Time Out 116
- Frankie Goes to Hollywood
- Alicia Keys - "Try Sleeping With a Broken Heart"
- Time Out 115
- Lady Gaga
- Sade - "Soldier of Love"
- Saint Etienne - "Method of Modern Love"
- Shystie ft. DJ Deekline - "New Style"
- Busy Signal- "Da Style Dey"
- Girls Can't Catch - "Echo"
- House of House - "Rushing to Paradise (Walkin' The...
- A Aberração da Década
- 2006
- 2005
- Dizzee Rascal
- Time Out 114
- Walter Jones - "Living Without Your Love"
- Stush - "We Nuh Run"
- The Cast of Glee - "Don't Stop Believing"
- Timberlee ft. Tosh - "Heels"
- Marina & The Diamonds - "Hollywood"
-
►
Novembro
(24)
- Olha o Passarinho
- Hurts - "Wonderful Life"
- 2004
- Time Out 113
- When the Bomb Takes Over
- Kelis - "Acapella"
- Róisín Murphy - "Orally Fixated"
- David Bowie
- Sia - "You've Changed"
- Time Out 112
- Pet Shop Boys - "It Doesn't Often Snow at Christma...
- Moon Wiring Club - "Information Services"
- Guido - "Beautiful Complication"
- Gary Numan
- Paz na Terra
- Alicia Keys - "Try Sleeping With a Broken Heart"
- Darkstar - "Aidy's Girl's a Computer"
- Time Out 111
- Eric Cartman ft. Kenny & Kyle - "Poker Face"
- Lady Gaga - "Dance in the Dark"
- McAlmont & Nyman - "Take the Money and Run"
- Time Out 110
- Prefab Sprout
- Xutos & Pontapés
-
►
Dezembro
(21)

